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10 ideias interessantes do SxSW 2016

Por Beto Bina (*)

SxSW é um exercício de desapontamento, uma terapia regressiva ao FOMO (Fear Of Missing Out) já que todos eventos parecem ter um audiência segmentada só de você como target, problematicamente esfregando na cara o que está perdendo e perdeu nos anos anteriores.

A cura, como a cura para muitas doenças, é pensar positivamente e dar valor para as coisas simples que possuímos.

Estou feliz de ter voltado com algumas coisas legais, ótimos shows, filmes e memórias.

Não lembro de todas mas, entre as que lembro, vou compartilhar por aqui já que compartilhar gera valor e cura.

1. Produtores de conteúdo digitais vão ultrapassar TV à Cabo.

Mudanças na tecnologia geram mudanças em comportamento e criam uma enorme oportunidade para os negócios. Essa fórmula está se repetindo e um exemplo é que a curva de adoção da TV à Cabo tem a mesma curva que o conteúdo digital, porém a TV à Cabo começou a decair. Produtores de conteúdo digital tem muitas vantagens: mobile first, newsroom em tempo real, influenciadores e custo de produção (TV: $50k-$100k/minuto vs. Digital: $500-$1k/minuto). Produtores de conteúdo digital nunca tiveram o luxo da grande verba de produção, então eles tinham que se adaptar. Já produtores de TV à Cabo pertencem a empresas que hoje já são muito grandes e sem agilidade para inovar.

Não será a NBC que vai ganhar, mas o BuzzFeed. Não será o Comedy Central, mas o Funny Or Die. Não será a MTV mas a Vice. Não será a Lifetime, mas a Refinery29. Não será o Animal Planet, mas o The Dodo. Não será o Travel Channel, mas o Thrillist … Eu espero. — Ben Lerer, fundador do Thrillist.

2. Programas de fidelidade no mundo de Internet Of things.

Hoje em dia, momentos para recompensar usuários acontecem entre transações e de forma direta: compra X, ganha Y. Porém, a recompensa não deve definir o comportamento, mas o comportamento deve definir a recompensa. Integrada nas experiências que já estão ocorrendo e de maneira inesperada. Momentos conectados (Connected Moments) são momentos detectadas por devices que podem gerar recompensas: carro na reserva, geladeira sem leite, acordando mais cedo, etc. Esses momentos podem ser automatizados, sem a necessidade de um input, e estão se tornando mais pessoal. Com a proximidade de dispositivos, pode-se detectar movimento, ritmo cardíaco, transpiração da pele e temperatura, que fornecem informações sobre as necessidades fisiológicas e a capacidade para as marcas resolverem problemas reais.

Propaganda pode até entreter as pessoas através de anúncios engraçados, mas agora temos o dever de servir as pessoas. Trata-se de trazer serviço e agregar valor. Então, qual momento você vai agregar valor? — Brian Wong, Kiip

3. Bots não julgam.

Aplicativos de mensagens instantâneas estão se tornando onipresentes e um portal para serviços, alavancados pelo fato de não precisarem instalar aplicativos de serviço. Pensando em design de serviço, isso requer um tipo totalmente diferente de pessoas, habilidades e modalidades. Crianças na China são muito introspectivas e preferem conversar com bots do que professores. O mesmo se dá com homens nos EUA que querem falar sobre perda de peso. A conversa com bots é uma conversa sem julgamento para compartilhar sentimentos.

25% das pessoas já disseram “eu te amo” para bots. — Julia Hu, Lark

4. Wikipedia nos lembra que somos humanos.

Wikipedia não irá lhe dizer a verdade, mas dará as fontes para a sua verdade. Pessoas que só vêem um lado, e querem suprimir o outro, são as mais exaustivas de colaborar. Como a poesia, escrever um artigo é a maior das capacidades humanas. Neste momento, o Google não consegue sequer fazer uma tradução decente. AI (Artificial Intelligence) pode auxiliar, mas não será capaz de substituir as pessoas em um futuro próximo.

Uma vez que os computadores serão capazes de escrever um artigo do Wikipedia, estaremos vivendo em um mundo completamente diferente. Eu não acho que isso vai acontecer em breve. E, se acontecer em nossas vidas, vamos provavelmente viver para sempre. — Jimmy Wales, Wikipedia.

5. Notícias de última hora é commodity.

Hashtags devem ser utilizados de maneiras diferentes. No Twitter, elas servem para divulgar informações sobre um evento específico ou notícias de última hora. No Instagram não é sobre o evento em si, mas sobre um problema maior, como raça ou gênero. No Twitter, 59% das conversas são notícias de última hora, no Facebook são aproximadamente 30%, pois nesta rede social as pessoas consomem notícias acidentalmente. Notícias de última hora hoje é commodity, a diferença está na qualidade do conteúdo. No The Atlantic, 50% do tráfego é proveniente de edições passadas.

Hashtags são poderosas, mas hashtag por si só não é um movimento. O que aconteceu no Egito não foi uma revolução do Twitter, nas ruas a maioria das pessoas não tinhas sequer acesso à internet. — Shadi Rahimi, AJ+

6. Hooked (método para mudança de comportamento)

6.1. Trigger (gatilho): Composto pot fatores externos: clique aqui, compre agora. Associado com fatores internos e informados através da memória: pessoas, lugar, situação e rotina.

6.2. Ação: Quando o comportamento se manifesta através da motivação e da habilidade, ou diminuição das barreiras.

6.3. Recompensa: O momento de maior excitação do nosso cérebro pelo desejo e a surpresa. Recompensas variáveis: Tribo (concorrência, social), Caça (patrimônio e informação) e Auto-estima (através de outras pessoas: confiança, consistência, controle).

6.4. Investimento: Benefício futuro, aumenta a probabilidade do próximo passo ocorrer.

Scroll é uma máquina de caça-níqueis. — Nir Eyal

7. Inovação Frugal

Inovação frugal é o tipo de inovação que traz valor econômico, social ou ambiental a partir da falta de recursos como capital, energia ou tempo. Para se tornar um inovador frugal a pessoa precisa criar produtos e serviços frugais, no entanto eles proporcionarão apenas valores táticos. O verdadeiro inovador também precisa desenvolver um modelo de negócio Frugal e uma mentalidade/cultura Frugal na empresa, para trazer valores estratégico.

A necessidade é a mãe da invenção, e a escassez é o pai. — Navi Radjou

8, 9 e 10: Casey Gerald.

Casey Gerald é fundador do MBAs Across America, ele é um menino muito inspirador e deu um discurso em tom que não valia a pena uma tradução em terceira pessoa. Abaixo traduzi para português as três ideias que mais gostei, mas também recomendo o vídeo completo.

8. A norma da dúvida.

Antes de escrever essa palestra, eu estava tentando descobrir com quem exatamente eu estava falando. E percebi que não estava falando com as pessoas do SxSW, do TED ou de Harvard. Eu não estava falando com as pessoas que teriam sido convidados para esses eventos. Eu estava tentando falar com as pessoas que nunca seriam convidados para um lugar como o SxSW. E dizer-lhes para não acreditar cegamente nas pessoas do TED, Harvard ou SxSW, inclusive eu. A norma da dúvida não está dizendo às pessoas para parar de acreditar em tudo. Mas sim, criar um pouco de espaço para questionar as pessoas que dizem que eles têm todas as respostas, porque eles provavelmente não têm. — Casey Gerald.

9. Os Marketeiros e os Tecnólogos não vão salvar o mundo.

Jornalista perguntou ao Casey Gerald: Se você tivesse alguns minutos com o presidente, o que você diria? Sua resposta:

Eu provavelmente perguntaria: — Sr. Presidente, o que você diria se não estivesse com medo? Eu não tenho certeza de que ele iria necessariamente dizer o que ele está vindo aqui dizer, que é, em essência, para obter a aprovação de Tecnolólogos e os Empresários Oligarcas do nosso tempo e pedir-lhes para salvar o país. Nós, nesta sala, em lugares como SxSW, representamos uma verdade que diz que os Merketeiros e os Tecnólogos vão salvar o mundo. E acreditamos tanto que , por vezes, acabamos deixando pessoas para trás neste país. Detroit por exemplo, 700k pessoas, 82% negros, 65% abaixo da linha da pobreza em uma grande cidade americana. Eu não tenho certeza se a melhor solução é ter mais programadores. — Casey Gerald.

10. O despertar social.

Rebecca Henderson leciona em Harvard um curso chamado re-imaginando o capitalismo, no qual ela explica através de um diagrama de Venn, onde um círculo representam as coisas que trazem dinheiro, e o outro todas as coisas que fazem o bem. A intersecção ela chamou de solução bucket 1, que é um negócio que gera lucro e faz o bem ao mesmo tempo como, por exemplo, Walmart melhorando sua cadeia de abastecimento porque é bom para o planeta, ao mesmo tempo que economiza dinheiro. Isso é ótimo, mas o bucket 1 oferece apenas 50% da solução.

Já a solução bucket 2 é uma solução de inovação, feita por pessoas que assumem riscos de curto prazo para o ganho de longo prazo, por exemplo, Elon Musk na Tesla apostando no futuro. Mas o desafio é que, mesmo com o bucket 2, cnoseguimos apenas 60% do caminho para o mundo que queremos ver. Então, a questão se tornou como você encontra o resto dos 40%? Professor Henderson estudou toda a história da civilização capitalista ocidental e descobriu que a única vez que chegamos ao bucket 3 de solução (como o final da escravidão nos EUA) foi quando tivemos um despertar social.

Então eu perguntei a mais natural pergunta que é: como vamos conseguir um despertar social? E ela disse o que apenas alguns professores diriam que é: — Eu não sei. Assim, ocorre que amelhor maneira, a outra maneira, ou melhor, a única maneira, talvez, é descobrir como podemos provocar um despertar social. — Casey Gerald.


(*) Beto Bina é Associate Director na R/GA New York.