invisible

O importante é invisível

Por Ana Lia Alves (*)

Se você parar e refletir, verá que o que importa mesmo na vida é invisível.

E é mesmo?

A sensação de conquista, o orgulho, o reconhecimento, pertencimento, amor, amizade, gratidão, força de vontade, fé e por aí vai.

De certa forma as “coisas” servem de alicerce para os sentimentos fluírem e experiências surgirem.

Sensações e sentimentos são a base da construção da percepção. Percebo porque sinto algo. Da percepção é gerado a impressão, que basicamente é a expressão dita do que pensamos pós sentirmos.

E tudo isso é invisível. Planners trabalham com o invisível, já pensou assim? Um trabalho digno de valor e respeito. Pessoas e suas emoções mais profundas.

Concorda?

Parto do princípio que estamos de acordo até aqui. 😉

E aí, se é mesmo o invisível este emaranhado de sentimentos que trabalhamos para de fato criar comunicações efetivas, como avançar?

Fui chamada algumas vezes para ajudar marcas e agências que buscavam, digamos assim, um conector digital para plugar tudo isso e adaptar as caixinhas comunicativas praticadas para “inovar” na integração de Marca, PR, Social Media, Videos digitais, Performance. B.I, Ecommerce, RTB… Desculpa gente, mas as pessoas não pensam em blocos. Nós que blocamos para facilitar o tramite e as estruturas organizacionais.

Acontece que não se divide estas sensações e emoções em meios, nem em formas específicas de diálogos. Elas são inerentes a uma comunicação – como diz uma querida amiga pensadora e acadêmica – ecológica.

Tive a oportunidade, ao iniciar minha carreira, de participar da construção do planejamento nas agências, onde se brigava muito para que ele fosse entendido e aceito. Lembro das defesas da Marina Campos de formatos de integração, dos cartoons concebidos para que a criação entendesse o papel construtivo do planejamento e nos usassem, da construção depois “padronizada” para se montar um raciocínio que em muitos locais ainda não mudou: análise da comunicação (desk search – arquivos da propaganda, social listening..), concorrência, ilustrações de diálogos via redes, estudo de contexto, mercado e marcas, percepções entendidas com imersões com as pessoas para daí chegar num insight, num posicionamento, em formatar e ser a direção para concepção criativa ganhar forma.

E vejo uma patinação atual em como unir inteligência dos dados também com objetivo de inovar, e nessa união ainda sim fazer sentido. Será que avançar é mesmo agregar mais insumos ao processo criativo ou será que é dar um passo pra trás e entender que o comportamento atual requer uma nova maneira de pensar para delinearmos parâmetros que de fato constroem uma comunicação efetiva?

Eu acredito no passo pra trás.

Levanto aqui um ponto que tem descontruído e mexido demais com nosso processo invisível:

  1. a falta de atenção crônica que nos delimita a sentir
  2.  indiferença que nos restringe a viver sensações.

Somos todos de uma geração que não se restringe a idade de nascimento e sim ao consumo conectivo excessivo de breaks. A ânsia constante de usar ou criar pausas para se sentir parte ao se alimentar da vida, das notícias, dos acontecimentos dos outros, da necessidade da descoberta a toda hora, em qualquer lugar e momento. Como diz uma bela música:

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso.
Ainda estou confuso só que agora é diferente.

Constantemente distraídos. Como então ser percebido e elaborar planos e criações para quem anda indiferente a você? Num consumo líquido e fluído demais que até mesmo abalou o invisível com que trabalhamos.

Se não percebo, não sinto. E como transformo o invisível em impressionante? Falar com as pessoas via feed e conseguir fixar uma mensagem nesses breaks tem sido um desafio. Já pensou nisso? Vamos pensar juntos e evoluir esta conversa.


(*) Ana Lia Alves é consultora de inovação pela Tiip. Digital Work e mãe orgulhosa de dois moleques. Para quem quiser discutir, concordar ou discordar: lia@tiip.com.br 🙂